Auxílio Mãe Atípica: proposta de novo apoio para mães cuidadoras de crianças com deficiência
- Adriana da Silva Martins Bueno
- 1 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1520/2025, que propõe a criação do Auxílio Mãe Atípica (AMA).
O benefício é voltado a mães e responsáveis legais de crianças e adolescentes com deficiência severa ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), oferecendo apoio financeiro e acompanhamento psicossocial.
Justificativa da proposta
Segundo a relatoria, o projeto reconhece a sobrecarga emocional e física enfrentada por essas mães, que muitas vezes abrem mão de suas carreiras, da estabilidade financeira e até da saúde mental. Por isso, torna-se necessária a criação de uma política pública de amparo social direcionada.
Quanto será pago?
O valor do benefício será definido pelo governo federal, considerando:
A gravidade da condição da criança ou adolescente;
O nível de vulnerabilidade social da família.
Faixas previstas:
Para deficiência moderada: valor de meio salário mínimo;
Para deficiência grave: até um salário mínimo.
O projeto autoriza que o AMA seja acumulado com outros benefícios já recebidos pela criança, como o BPC (Benefício de Prestação Continuada), ampliando a rede de proteção sem comprometer direitos já garantidos.
Quem pode receber?
Para ter acesso ao benefício, será necessário comprovar:
Ser mãe biológica, adotiva ou responsável legal de criança ou adolescente com deficiência severa ou TEA;
Apresentar laudos ou relatórios médicos que demonstrem que os cuidados comprometem a rotina de trabalho;
Estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico);
Passar por avaliação de equipe multiprofissional, com assistente social, psicólogo e profissional da saúde.
Essas exigências garantem que o auxílio chegue a quem realmente precisa, evitando distorções e reduzindo o risco de ações judiciais.
Mais que dinheiro: apoio à saúde mental
O projeto também prevê um conjunto de ações psicossociais para as mães, reconhecendo que o desafio de cuidar vai além do aspecto financeiro. Entre os serviços propostos:
Acompanhamento psicológico pelo SUS, com prioridade de atendimento;
Atividades terapêuticas e de bem-estar voltadas para a mãe e a família;
Espaços públicos com cuidadores treinados, permitindo períodos de descanso.
Com isso, pretende-se combater o isolamento e o esgotamento emocional enfrentado por mães atípicas.
Como está a tramitação?
O PL 1520/2025 tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de:
Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família;
Finanças e Tributação;
Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).
Se aprovado em todas as comissões, seguirá para o Senado. Só irá ao Plenário da Câmara se houver recurso específico de parlamentares.
Impacto para a Advocacia Previdenciária
Embora o AMA não substitua o BPC, ele abre uma nova frente de atuação jurídica, especialmente para advogados previdenciaristas que lidam com:
Acúmulo de benefícios assistenciais;
Comprovação de cuidado integral;
Demandas relacionadas à proteção social de famílias sobrecarregadas.
Acompanhar o avanço desse projeto é essencial, já que ele fortalece uma tendência legislativa de ampliar a rede de apoio a famílias de pessoas com deficiência.




Comentários